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A caminho dos 100 anos da chegada das Irmãs Hospitaleiras

Casa de Saúde Câmara Pestana, a caminho dos 100 anos da chegada das Irmãs Hospitaleiras


Era o dia 4 de maio de 1925 e desembarcavam na Madeira seis Irmãs Hospitaleiras: Maria das Chagas de Jesus, (Vigária Geral); Febrónia de Jesus; Maria do Carmo Gil (primeira superiora da casa); Ambrosina (Enfermeira); Invenção de Santa Cruz (Ecónoma) e Maria das Preces. Uns dias antes, saíram de Madrid, passando pela casa de Belas, onde cumprimentaram as Irmãs, dirigindo-se depois à Idanha, onde permanecerão três dias. Desde Lisboa, a viagem é feita no barco Lourenço Marques, que ao chegar à Ilha, fica em alto mar, sendo o transbordo feito numa lancha até terra. A irmã Febrónia descreve a paisagem que vê, como lhe parecendo as casitas que se põem no presépio.


Dia 9 de maio é o dia de entrada no então Manicómio Câmara Pestana. Deste espaço, que seria a sua casa, o seu lugar hospitaleiro, de muitos e muitos dias, tinham ouvido falar tão mal, que já estando no Funchal, confessam que quase lhes faltou a vontade de vir. Mas vieram e permaneceram. Após uma semana a descansar na casa da D. Maria Bianchi, a pedido do sr. Bispo do Funchal, iniciaram a sua missão e o começo de uma história quase centenária. Por isso, a 9 de maio deste ano, a Casa de Saúde deu início à abertura das celebrações da chegada das Irmãs, cujos 100 anos se completarão em 2025. O momento destacou-se com uma Eucaristia, presidida pelo senhor Bispo do Funchal, D. Nuno Brás e com a participação de entidades governamentais, religiosas, civis, judiciais, militares e ainda de toda a comunidade hospitaleira. No final, o grupo de teatro recuperou o passado e trouxe ao palco do presente a emoção vivida pelas Irmãs: tudo se encontrava em péssimo estado, o edifício e as pessoas… as doentes viviam como animais, descalças, desgrenhadas, “descuidadas”; sem camas, dormiam no chão, as portas já não se podiam abrir e se abrissem já não conseguiam fechar… E no meio do caos, algo tão profundo acontece: assim que vêm entrar as Irmãs, as doentes dirigem-se a elas e dão-lhes um abraço, ao que as Irmãs correspondem, perante o olhar impressionado das entidades que as acompanham. Aqui fica selado para sempre o compromisso da hospitalidade!


Após treze anos da entrega da Casa de Saúde às Irmãs, o Dr Vasco Marques, Presidente da Junta Geral, visitou a Instituição em 1938, e deixou registado no Livro dos Visitantes ter cumprido “um dever de humanidade, ter entregue o Manicómio às admiráveis Irmãs Hospitaleiras…!”


Passados noventa e nove anos, a nossa missão continua a ter o selo daquele abraço libertador!


Dra. Délia Gomes

Assistente Social nas Irmãs Hospitaleiras Câmara Pestana | Funchal

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