Dia Internacional da Caridade - 5 de Setembro 2021

Dia Internacional da Caridade - 5 de Setembro 2021
Viver a Caridade ao jeito de Jesus, foi o sentido da vida de Teresa de Calcutá e de tantos Santos ao longo da história da humanidade. Para as Irmãs Hospitaleiras a Caridade tem uma expressão muito significativa no Coração de Jesus.


DIA INTERNACIONAL DA CARIDADE 2021

 

No dia 5 de Setembro celebra-se o dia Internacional da Caridade e também o dia de Santa Teresa de Calcutá.

Viver a Caridade ao jeito de Jesus, foi o sentido da vida de Teresa de Calcutá e de tantos Santos ao longo da história da humanidade.

Para as Irmãs Hospitaleiras a Caridade tem uma expressão muito significativa no Coração de Jesus do qual nasceu o nosso carisma na Igreja, ao serviço das pessoas doentes, especialmente pessoas com sofrimento psíquico.

Uma caridade vivida em gestos samaritanos de acolhimento, serviço, cuidado integral, tratamento e reabilitação. Uma caridade em que a ciência e a humanidade se complementam ao serviço da pessoa.

Vivemos ainda em contexto pandémico e esta situação leva-nos também aos inícios da Congregação em 1885 e a epidemia da cólera em Espanha….  

Dos primórdios da Congregação ficou-nos este exemplo fascinante da intervenção de um grupo de irmãs na povoação de Chinchón, junto dos doentes de cólera durante a epidemia de 1885, em que se destacou a Sor Maria Josefa (não Maria Josefa Récio, Fundadora da Congregação). Da sua caridade e abnegação é honroso o seguinte artigo que, anos mais tarde, foi publicado:

 

Sor Maria Josefa

Acerca da morte edificante de uma daquelas heroínas da caridade, o Padre Ministro Provincial da Ordem de S. João de Deus, escreveu a 30 de Maio de 1890 – Ciempozuelos:

“Eram umas dez da noite quando acabava de me deitar e eis que o guarda-noturno me vem avisar de que era necessário ir urgentemente ao manicómio das senhoras porque Sor Maria Josefa estava muito mal.

Com grande pressa, como o caso exigia, levantei-me e cheguei à cabeceira da doente que se encontrava rodeada pela Madre Superiora e outras Irmãs. Ao ver-me, a agonizante sorriu e com uma alegria celestial disse-me: “Reverendo Padre, hoje sim, é que vou para o Céu”. Disse-lhe então que se lembrasse lá de nós e ela fez-me sinal que sim, que assim faria”. E logo a convidei a fazer os atos de humildade, de arrependimento e de confiança; e tornei a dar-lhe a absolvição. Depois rezei as orações próprias da encomendação da alma, repetindo de vez em quando os doces nomes de Jesus, Maria e José, que ela ouvia com manifestos sinais de prazer, embora já não conseguisse pronunciar as palavras. Assim expirou tranquilamente, deixando em nós, juntamente com a natural saudade, a consolação de quem assiste a uma morte tão feliz, que mais exato seria chamar entrada na vida verdadeira.

Sor Maria Josefa, assim chamada na Congregação, era natural de Leiza, vila da província de Navarra, onde nasceu em 1 de Julho de 1862, filha de humildes agricultores, mas bons cristãos, como são seus pais, António Lasarte e Madalena Zabaleta, que no baptismo lhe puseram o nome de Isabel.

Em 7 de Março de 1882 tomou o hábito de noviça na Congregação das Filhas de Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus, trabalhava no manicómio de senhoras da mesma vila e a 9 de Março de 1884, professou com o nome de Irmã Maria Josefa.

Em 1885, quando se deu a epidemia da cólera, não obstante sua vontade decidida, sentia um terror tão grande que tremia só ao pensar que teria de se aproximar duma pessoa com aquela doença. Então, com o desejo de se vencer a si mesma, prometeu à Santíssima Virgem, Mãe do Sagrado Coração que, se conseguisse fortaleza para se dominar, faria que se publicasse esta graça nos “Anais de Nossa Senhora do Sagrado Coração de Jesus”. Nesse mesmo instante sentiu-se de tal maneira fortalecida, que todas as pessoas que tiveram ocasião de a ver na prática desta caridade a consideravam como uma heroína na assistência aos doentes de cólera no manicómio.

Enviada para ali pelos seus Superiores, com outras irmãs, para assistir às mulheres atacadas pela terrível epidemia, fez verdadeiros prodígios pelas casas da povoação. Era tal o seu zelo de ir de casa em casa, que passava à frente dos guardas noturnos e dos empregados do município que nunca deixaram de acompanhar as irmãs durante a noite.

Foi em Chinchón, numa tarde de terrível tempestade, na qual os trovões e relâmpagos que até aos mais corajosos inspiravam terror, que um homenzinho, ao ver a Irmã Maria, muito tranquila, no seu trabalho de casa em casa enquanto desfiava entre os dedos o Santo Rosário que ia rezando, parou perguntando a si mesmo cheio de admiração se aquela religiosa era feita de alguma natureza diferente, pois parecia que com nada ela se impressionava. É que a fé, a esperança e a caridade infundem vida nova e fortaleza sobre-humana em quem as possui.

Foi precisamente nas encostas de Chinchón que contraiu a doença. Por ordem dos médicos teve de se retirar com uma congestão pulmonar e, desde então, ficou sempre de saúde muito delicada até que, por Amor ao próximo e a Deus, partiu para a Vida Eterna”.

 

Que saibamos ser Amor em tudo o que fazemos.

Irmãs Hospitaleiras | Cuidar, compromisso efetivo de Vida.

 

 

Sexta, 27 de Agosto de 2021