Papa sobre a pandemia: “Como podemos ajudar a curar o nosso mundo?”

Papa sobre a pandemia:  “Como podemos ajudar a curar o nosso mundo?”

Ontem, dia 5 de agosto, ao iniciar um ciclo de reflexões sobre a pandemia e a resposta à crise, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, o Papa Francisco alertou para «doenças sociais» que afetam os mais pobres e desafiou os católicos a mudar o mundo, porque fé, esperança e amor «são muito mais que sentimentos».

Deixamos uma síntese da sua reflexão:

A pandemia atual, que continua a causar feridas profundas, evidencia a nossa vulnerabilidade e leva-nos a refletir sobre este tempo de incerteza, cujas consequências socioeconómicas atingem principalmente os mais pobres.

Na tradição cristã, fé, esperança e caridade são muito mais do que sentimentos ou atitudes. São dons que nos curam e fazem de nós instrumentos de cura.

No Evangelho vemos como Jesus se mostrava sempre disponível para curar, não só o corpo, mas a pessoa inteira. O caso do paralítico de Cafarnaum é um exemplo de cura total: Enquanto Jesus prega, quatro homens levam-lhe um amigo paralítico que, impossibilitados de entrar, porque havia muita gente, descobrem o telhado e descem o seu leito à frente dele. «Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados são-te perdoados!”» (v. 5). E depois, como sinal visível, acrescentou: «Levanta-te, pega no teu leito e vai para casa!» (v. 11). Deste modo, também o restitui curado à comunidade, libertando-o do seu isolamento. Ele Renova a vida do paralítico e dos seus amigos. Imaginemos como esta amizade e a fé de todos os presentes naquela casa cresceram graças ao gesto de Jesus.

Também nós devemos perguntar-nos: como podemos ajudar a curar o nosso mundo hoje? Como discípulos de Jesus, que é médico das almas e dos corpos, somos chamados a continuar «a sua obra de cura e salvação» em sentido físico, social e espiritual.

Embora a Igreja ministre a graça que cura através dos sacramentos e preste serviços de saúde nos mais remotos cantos do planeta, ela não tem as respostas técnicas ou políticas para a pandemia. Essa é a tarefa dos líderes políticos e sociais. No entanto, ao longo dos séculos, e à luz do Evangelho, a Igreja desenvolveu princípios fundamentais de Doutrina Social que nos podem ajudar a ir em frente, a preparar o futuro: o princípio da dignidade da pessoa, o princípio do bem comum, o princípio da opção preferencial pelos pobres, o princípio do destino universal dos bens, o princípio da solidariedade, da subsidiariedade e o princípio do cuidado pela nossa casa comum. Estes princípios expressam de diferentes maneiras, as virtudes da fé, da esperança e do amor e ajudam a refletir e trabalhar juntos para construir um mundo melhor e a buscar a cura do tecido pessoal e social, inclusivamente neste caso de pandemia,

Como seguidores de Jesus que cura, o Papa convida-nos a abordar juntos estas questões e expressa o desejo de que demos o nosso contributo à construção um mundo melhor, cheio de esperança para as gerações futuras.

 

Quinta, 6 de Agosto de 2020