“As Surpresas de Deus”

“As Surpresas de Deus”
A propósito deste amor, e por isso, de hospitalidade, acolhimento e gratidão, guardam-se momentos e pessoas...

 “As Surpresas de Deus”

Deus está sempre a surpreender-nos e com boas surpresas e tal como diz o adágio: “quando se fecha uma porta, abre-se uma janela”. Pois foi isso que aconteceu nestes tempos difíceis, de portas fechadas e de grandes incertezas que a pandemia provocada pelo vírus Covid-19 nos trouxe. Em tempos de confinamento surgem gestos de proximidade com abraços calorosos; em tempos de máscaras rasgam-se sorrisos sinceros e gargalhadas de alegria; em tempos de restrições e escassez de recursos surgem voluntários com disponibilidade e criatividade aos molhos… Podíamos continuar a desfiar o rosário das maravilhas que a presença da Mariana Costa, da Diana Leonardo e do Diogo Pimentel trouxeram a este Centro. Afinal quem são e como chegaram aqui em tempos de pandemia?

 São jovens que se encontravam em missão por um ano em S. Tomé e Príncipe pela Organização não-governamental, Leigos para o Desenvolvimento (LD), mas que devido à situação provocada pela Covid-19, a ONG a que pertencem, considerou prudente o seu regresso a Portugal. Após o tempo de confinamento adequado e de um tempo de reflexão em conjunto com a organização era necessário continuarem em missão. Assim a direção dos LD, contactou-nos pedindo-nos colaboração para os acolhermos e integrarmos na nossa missão. Fomos apanhadas de surpresa e se por um lado o desejo de os receber era grande, porque bem sabemos os benefícios que a presença de jovens entre nós trás às nossas meninas; por outro as regras de confinamento e isolamento social a que a situação de pandemia nos impunha deitava por terra esse desejo. Consultadas as irmãs e a direção do Centro e avaliadas todas as possibilidades, os prós e contras, decidimos acolhê-los na nossa Casa e na nossa Missão. E que boa decisão! Assim no dia 12 de maio chegaram ao CRM estes 3 LD disponíveis a tempo inteiro e com um coração aberto à novidade da missão hospitaleira.

 Ficaram inseridos na unidade de S. Teresa e em especial no serviço ocupacional, acompanhado e colaborando nas atividades ocupacionais das meninas ou desenvolvendo e criando novas atividades. Progressivamente foram conhecendo as meninas e as suas rotinas, gostos, necessidades… e por isso progressivamente foram crescendo na relação e no desempenho da missão.

 Outra área importante em que deram um bom contributo foi nas atividades da Pastoral da Saúde. Com especial destaque para a oração mariana do terço no mês de maio e noutras orações, a fazer parte da minha geografia.” (Diogo Pimentel)

“Neste Centro, ou melhor, nesta casa, (quase) 120 meninas são cuidadas e amadas por um grupo de "santas" (como as próprias meninas chamam aqueles que fazem parte da sua vida). Inevitavelmente, uma pessoa toma consciência de que o Céu, naquele sítio em particular, estará (mais) próximo. Se calhar será de todos os terços bem rezados (e vividos!!) no mês de Maio. Será também do entusiasmo e alegria do encontro, mesmo que à partida este seja (quase) certo. Do sorriso fácil, abraço apertado e "bom dia"/"boa noite" persistente. Da sinceridade, simplicidade e disponibilidade para dizer aquilo que vai dentro ou simplesmente apetece. Também virá certamente do cuidado investido pelas Irmãs Hospitaleiras (verdadeiras santas) que há 52 anos abraçam esta missão (diariamente) e são testemunho vivo de um amor digno de fé.   

A propósito deste amor, e por isso, de hospitalidade, acolhimento e gratidão, guardam-se momentos e pessoas. …

A vinda para o Assumar não justifica o nosso regresso, mas foi lá que reencontrei uma paz mais certa, uma esperança (para descomplicar) mais enraizada. Vivendo em comunidade, conhecendo e aprendendo com estas Irmãs Hospitaleiras, passando o foco ao meu próximo (minha terra de missão) não deixando que este tempo me passasse ao lado, estando. Marcou. E que boa marca que fica.” (Mariana)

 Fizeram um balanço muito positivo do tempo que viveram connosco, das descobertas e surpresas que o carisma e missão hospitaleira lhe proporcionaram, sobretudo do que a relação e contacto com as meninas enriqueceu a sua vida. Se esta experiência foi para eles um “banho de humanidade” que deu sentido e significado à sua missão, também nós aprendemos com eles a lição da simplicidade. Uma certeza podem ter ficam para sempre no nosso coração em especial das meninas do CRM.

Ir. Noémia Bastos

 

Quarta, 19 de Agosto de 2020