Lubango - Angola

Lubango - Angola
"Pelo nosso carisma somos chamadas a testemunhar que o Cristo, compassivo e misericordioso do Evangelho, permanece vivo entre os homens". (Const. 5)

O tempo de Deus quis que a Ir. Sabina Valente, Ir. Elvira Chorão, Graça Neves e eu vivêssemos a pandemia do Covid-19, em Angola, concretamente no Lubango, onde a Congregação serve desde 2006. Sabemos que os riscos de contrair a doença são, provavelmente, maiores que na Europa e tratá-la torna-se também mais difícil.

Acompanhamos diariamente as notícias, não só de Portugal, mas de todo o mundo, acreditando que um dia chegaria até nós. Há um “Canal televisivo, radiofónico”, que fala connosco diariamente, com uma linguagem, por muitos conhecida, e que repete, a cada momento: Eu estou convosco, não temais! E é o canal mais fidedigno, que nos dá as maiores certezas e onde podemos apresentar as mil e uma notícias que vemos e ouvimos, e vê- las de novo, já montadas com a sabedoria e a misericórdia de Deus, e onde Ele decide em que cena nos coloca, individualmente  e comunitariamente, com o lema de sempre: Orar, Servir e Amar.

Assim sendo, com segurança, mantemos o Centro aberto às consultas externas. A Epilepsia, a doença que mais tratamos, diríamos que é custosa, pois “nunca mais se cura, e é preciso estar sempre a tomar medicação!” E conseguir-se-ia já um grande passo se as farmácias a tivessem e não se explorasse o pobre. Ainda assim há milagres todos os dias, com a escassa medicação ao nosso alcance.

A limitação de circulação, como aí, traz várias consequências, acentuando os problemas de fome e doença. Muitas famílias adquiriram a forma de sobrevivência diária, com a revenda de produtos nos mercados, o que agora está condicionado, afirmando que não podem cumprir as regras de prevenção da doença, pois se assim for, morrem à fome. E é verdade! Custa no momento presente resolver os problemas de desemprego, falta de acesso a água potável, falta de alfaias agrícolas, equipamentos hospitalares capazes, analfabetismo, transportes inseguros, falta de água nas escolas, etc, etc.

Estamos aqui, Deus queira que a conseguir ser gota de esperança na Igreja e na sociedade. Precisamos do Espírito Santo, a cada momento, para discernimos como viver como Deus quer.  Percebemo-nos unidas na mesma família cristã e hospitaleira. Força para cada um que nos lê e sabedoria para tirar desta desgraça a graça que nos torna mais compassivos, despojados, amigos e agradecidos!

Margarida Tavares Morais, hsc

 

 

Sexta, 21 de Agosto de 2020