COMPROMISSO COM O CUIDADO DA VIDA

COMPROMISSO COM O CUIDADO DA VIDA
O Parlamento debate esta quinta-feira a realização de um referendo de iniciativa popular à legalização da eutanásia, cuja votação é na sexta-feira.

AFIRMAMOS O NOSSO COMPROMISSO COM O CUIDADO DA VIDA

Como instituição de saúde que somos, afirmamos o nosso compromisso com o cuidado da vida e o nosso empenho em defendê-la até ao último momento.

O Parlamento debate esta quinta-feira a realização de um referendo de iniciativa popular à legalização da eutanásia, cuja votação é na sexta-feira.

Em entrevista à Renascença, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, manifestou a sua posição a favor do referendo como forma de travar o processo da eutanásia, mas considera "intolerável" o agendamento, em tempo de pandemia.

“A questão da vida não é referendável mas é o caminho que resta às pessoas que não concordam com esta possibilidade de legalização da eutanásia para que o debate se faça na sociedade e não, simplesmente, no Parlamento… Acho de muito mau gosto o Parlamento ter agendado uma discussão sobre este tema no momento que estamos a viver. É intolerável! Neste momento, com todos os dramas que se vivem nos lares, onde pessoas que se encontram nessa situação de doença irreversível, diria que é um péssimo sinal, uma péssima ideia regressar a este assunto que vai contra todos os esforços para defender os nossos idosos e para encontrar caminhos de acompanhamento em cuidados paliativos que possibilitem uma morte digna para que, dentro da normalidade do decurso vital https://rr.sapo.pt/2020/10/22/religiao/a-questao-da-vida-nao-e-referendavel-mas-e-o-ultimo-caminho-que-resta/noticia/211866/ .

Numa Carta aberta, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga, D. Nuno Almeida, também se posiciona sobre este assunto https://www.diocese-braga.pt/noticia/1/26238  

 

Caso o Parlamento insista em não voltar a debater e votar este tema, resta-nos a esperança de que o Presidente da República vete o projeto de lei resultante do apressado processo legislativo, num contexto de oportunismo partidário sem qualquer trabalho prévio sério. O veto presidencial e consequente devolução do diploma legal obriga à maioria qualificada de 2/3 para nova aprovação na Assembleia da República.

A cultura e defesa da vida tem sido muito evidentes neste tempo de pandemia, em todas as instituições e organizações. A situação atual, por um lado, tem-nos mostrado a fragilidade da vida humana, por outro, também tem revelado o que de melhor tem o ser humano: a preocupação e o cuidado do outro.

A aprovação da eutanásia, neste e em qualquer contexto, só agravará e aumentará os fatores desencadeadores da depressão. Esperamos que os nossos deputados escutem a voz do povo, expresso no pedido do referendo e também o estado de saúde física e mental em que o covid-19 mergulhou o nosso país e o mundo. O que menos precisamos, neste momento é de leis que fomentam uma cultura de morte e nos roubam a esperança.

Como instituição de saúde que somos, afirmamos mais uma vez o nosso compromisso com o cuidado da vida e reafirmamos o nosso empenho em defendê-la até ao último momento.

 

 

Quarta, 16 de Setembro de 2020