COLABORADORES DO SONHO DE DEUS...

COLABORADORES DO SONHO DE DEUS...
Nada é maior que o ser humano, que “não é somente alguma coisa, mas alguém”. A nossa casa comum, não é um objeto. É uma dignidade banhada de divino, “um pensamento de Deus”.

COLABORADORES DO SONHO DE DEUS...

Somos habitantes do planeta azul, que gira em torno de uma estrela maior, o sol.  Segundo a mitologia grega, antes havia apenas o vazio, o caos, a desordem e nele morava um pássaro de asas negras. O pássaro pôs um ovo de ouro, de onde surgiu Eros, o deus do amor. Uma parte da casca subiu e formou-se o céu e a outra desceu e formou-se a Terra.  Esta é uma possível história mitológica e o mito é sempre um relato fantástico. Mas o mito da criação descrito no Génesis, não fica atrás. Temos um Deus criador, que de forma sobrenatural transformou o caos no universo. Um Deus que criou a luz, a noite e o dia. Um Deus que criou o sol, a lua e as estrelas. Um Deus que criou o homem e todos os seres vivos. No sétimo dia descansou e contemplou a beleza do que tinha criado.

Vivemos num planeta especial, moldado pelas mãos desse Deus onde está gravada toda a história da humanidade. É deste planeta que emerge a “nossa casa comum”, que sofre os revezes da doença, poluída pela pouca sorte de ter nascido aqui ou ali, de ter sofrido esta ou aquela experiência negativa, de ter perdido as asas em voos fracassados, de ter sido excluída muito cedo dos “caminhos normais”. Um “ecossistema mental”, claramente comprometido. Esta “casa comum”, todos os dias passa-nos pelas mãos, e da mesma forma, deverá passar-nos pelo coração. Sempre em risco de ruir e de ser destruída pelos vendavais da dor, a nossa casa comum, depende completamente da qualidade da nossa água, da biodiversidade das nossas ações hospitaleiras, sem esquecer os pilares fortes da hospitalidade e do acolhimento, da misericórdia e da sanação, assentes na ação e na palavra D’AQUELE que levou ao extremo o amor pelo expoente da criação, o homem.

Construir uma verdadeira ecologia hospitaleira é cuidar da casa frágil e devolver-lhe a dignidade do momento criador, “feito à imagem e semelhança de Deus”. Nada é maior que o ser humano, que “não é somente alguma coisa, mas alguém”. A nossa casa comum, não é um objeto. É uma dignidade banhada de divino, “um pensamento de Deus”.

A grandeza da nossa missão, deverá prostrar-nos diante desta casa comum, que vive à nossa mercê, sem pedir, sem regatear, sem muitas vezes dizer qualquer palavra, mas à espera do nosso conhecimento, presença, atenção e afeto. Esta é uma relação que passa pela proximidade, sem medos de sentir a dor do outro, de comungar as suas angústias e de partilhar as suas alegrias. O clamor do pobre, irrompe da sua interioridade e passa as portas e janelas... estaremos nós atentos aos seus gemidos?

“Somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso Planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo (...)”, por isso, cada um de nós, tem uma profunda responsabilidade: ser colaborador do sonho de Deus neste grande universo da Hospitalidade.

 

Délia Gomes

06.10.20

Quarta, 23 de Setembro de 2020