1. Causas e Fatores de Risco
1. Quais são as principais causas da perturbação bipolar?
A perturbação bipolar não tem uma causa única.
É uma doença multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais.
Do ponto de vista genético, sabe-se que há hereditariedade significativa: os familiares de primeiro grau de pessoas com diagnóstico de bipolaridade apresentam um risco aumentado.
Já os estudos com gémeos revelaram uma concordância genética entre 40% a 70%, o que indica a existência de uma base hereditária robusta, embora não determinista.
A nível neurobiológico, a perturbação bipolar está associada a:
- Alterações na regulação dos neurotransmissores, como a serotonina, dopamina e noradrenalina, Disfunções nos circuitos cerebrais que controlam o humor, o sono, a energia e a impulsividade.
- Alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que regula a resposta ao stress.
Por outro lado, foram já identificados vários fatores ambientais e psicossociais, que podem atuar como precipitantes de episódios agudos, especialmente em pessoas vulneráveis:
- Stress crónico,
- Abuso emocional,
- Traumas na infância,
- Consumo de substâncias e
- Privação de sono
Importa sublinhar que a bipolaridade não é causada por qualquer vulnerabilidade de carácter, nem é uma resposta emocional exagerada.
É uma doença médica reconhecida e validada, com mecanismos cerebrais identificados e com tratamento eficaz.
2. Quais são os fatores de risco que podem desencadear um episódio bipolar?
Mesmo em pessoas já diagnosticadas com perturbação bipolar, há alguns fatores que podem precipitar o aparecimento de novos episódios, tanto depressivos como maníacos.
É por isso essencial conhecer e evitar estes fatores, para manter a estabilidade clínica.
O fator de risco mais comum é a privação de sono.
As alterações no ritmo circadiano, como trabalhar por turnos, viajar através de fusos horários ou manter horários de sono irregulares, são altamente desestabilizadores do humor.
Já o stress psicológico — seja por motivos familiares, profissionais, sociais ou financeiros — também pode precipitar recaídas, sobretudo quando não há estratégias de gestão emocional ou suporte psicoterapêutico.
O consumo de álcool, cannabis ou outras substâncias psicoativas interfere diretamente com o equilíbrio neuroquímico e é um fator agravante frequente, principalmente nas fases de euforia ou instabilidade emocional.
Por outro lado, a suspensão ou a má adesão à medicação é outro fator relevante e frequentemente presente. Muitas pessoas, que se sentem melhor, interrompem o tratamento por iniciativa própria, o que frequentemente desencadeia uma recaída.
Há igualmente outros fatores, como as alterações hormonais, o pós-parto, os eventos traumáticos ou as perdas significativas.
Cada pessoa pode ter estímulos específicos, pelo que é importante reconhecer os sinais precoces de recaída com o apoio de uma equipa clínica, numa das Unidades de Saúde das irmãs Hospitaleiras.
3. A perturbação bipolar é hereditária?
A perturbação bipolar tem uma componente hereditária importante.
É uma doença com predisposição genética documentada, o que significa que a história familiar é um dos fatores de risco mais relevantes.
Há estudos científicos que demonstram que os familiares de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) de pessoas com diagnóstico de perturbação bipolar têm uma probabilidade aumentada de desenvolver a mesma perturbação ou outras perturbações do humor.
A probabilidade de transmissão genética não é absoluta, mas é superior à da população em geral.
Contudo, a genética não determina inevitavelmente o aparecimento da doença.
Ter antecedentes familiares não significa que se irá desenvolver uma Doença Afetiva Bipolar, mas sim que existe uma vulnerabilidade acrescida, especialmente quando combinada com fatores ambientais adversos, como o stress, os traumas precoces ou o consumo de substâncias.
Por isso, quando existe história familiar, é importante manter uma vigilância clínica atenta, sobretudo se surgirem episódios de instabilidade emocional, alterações do sono ou quadros depressivos em idades precoces.
A identificação precoce em pessoas com risco familiar permite intervenção atempada, evitando o agravamento e promovendo estabilidade a longo prazo.