2. Compreender a PHDA no Adulto
7. A PHDA é uma perturbação real ou apenas uma característica de personalidade?
A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma condição clínica reconhecida internacionalmente, classificada no DSM-5 como uma perturbação do neurodesenvolvimento.
Nas Irmãs Hospitaleiras sublinhamos que não se trata de uma “falha de carácter”, preguiça ou imaturidade, mas sim de um padrão persistente de desatenção e/ou impulsividade que interfere significativamente com o funcionamento diário.
As alterações neurobiológicas na regulação da atenção, motivação e controlo inibitório explicam muitas das dificuldades vividas pelos adultos com PHDA, que frequentemente enfrentam desafios no trabalho, nas relações interpessoais e na gestão do tempo e das emoções.
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8. A PHDA desaparece com a idade?
Não. A PHDA não desaparece com a idade.
Embora alguns sintomas se atenuem com a maturidade, especialmente a hiperatividade motora, muitos adultos continuam a manifestar sinais significativos de desatenção, impulsividade, agitação interna, procrastinação e desorganização.
Há inúmeros estudos que mostram que cerca de 60% das crianças com PHDA mantêm critérios diagnósticos na idade adulta, ainda que com apresentações clínicas diferentes.
É comum que haja um reconhecimento tardio da perturbação e que muitos adultos só sejam diagnosticados depois de anos de sofrimento silencioso, baixa autoestima ou dificuldades académicas e laborais não explicadas.
9. Como se manifesta a PHDA no adulto?
Nos adultos, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção ou PHDA pode manifestar-se através de sintomas como:
- Dificuldade em manter a atenção em tarefas prolongadas ou monótonas,
- Esquecimentos frequentes (prazos, compromissos, objetos),
- Desorganização continuada,
- Procrastinação severa,
- Dificuldade em iniciar ou concluir projetos,
- Impulsividade verbal ou comportamental,
- Sensação constante de inquietação mental.
Além disso, há uma elevada associação com ansiedade, depressão, instabilidade emocional, perturbações do sono e baixa tolerância à frustração.
O impacto funcional pode ser importante, afetando o desempenho profissional, a vida afetiva e a autoestima.
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10. Qual é a diferença entre PHDA do tipo desatento e do tipo hiperativo-impulsivo?
O DSM-5 reconhece três apresentações clínicas da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção:
- Tipo predominantemente desatento: dificuldade em manter a atenção, esquecimentos, distração fácil, erros por descuido. A pessoa parece “estar noutra” ou “no seu mundo”.
- Tipo predominantemente hiperativo-impulsivo: agitação motora, dificuldade em esperar, interrupções constantes, impaciência, comportamento precipitado.
- Tipo combinado: quando estão presentes sintomas significativos dos dois grupos.
Nos adultos, o tipo desatento é mais prevalente e frequentemente subdiagnosticado, pois os sintomas são menos visíveis e confundidos com traços de personalidade ou “falta de organização”.
11. A PHDA afeta da mesma forma homens e mulheres?
Não. Embora a PHDA seja igualmente prevalente, as manifestações diferem entre géneros.
Nos homens, predomina o tipo hiperativo-impulsivo, mais visível na infância.
Nas mulheres, o tipo desatento é mais comum, com sintomas como distração, desorganização e ansiedade, muitas vezes confundidos com traços emocionais ou “perfeccionismo”.
Isto contribui para o subdiagnóstico nas mulheres, que frequentemente são avaliadas apenas em contextos de exaustão, burnout ou depressão.
A abordagem diferenciada por género é essencial para um diagnóstico correto e eficaz.
12. Ter PHDA significa ser menos inteligente?
De forma alguma. A PHDA não está associada a défice intelectual.
Pessoas com PHDA podem ter inteligência média, alta ou até superior.
O desafio da pessoa com PHDA reside na regulação da atenção, da motivação e do comportamento, e não na capacidade cognitiva em si.
Aliás, muitos adultos com PHDA revelam grande criatividade, pensamento “fora da caixa” e hiperfoco em temas específicos pelos quais se interessam, características que podem ser verdadeiras capacidades e aptidões, quando bem geridas com o devido suporte clínico-terapêutico.
13. Como se distingue a PHDA de outras perturbações psiquiátricas com sintomas semelhantes?
A PHDA partilha sintomas com várias outras condições, como:
- Ansiedade generalizada: inquietação, distração, tensão.
- Depressão: fadiga, dificuldades de concentração, desmotivação.
- Perturbação bipolar: impulsividade, desorganização, variações bruscas de humor.
No entanto, na Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, os sintomas são estáveis desde a infância, persistentes ao longo do tempo e não cíclicos.
Nas Irmãs Hospitaleiras a avaliação clínica inclui uma anamnese detalhada, sempre que possível com informação complementar fornecida por terceiros (ex: familiares), rastreios estruturados e, se necessário, testes neuropsicológicos. O diagnóstico diferencial correto é essencial para orientar o tratamento e evitar abordagens terapêuticas inadequadas.
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