A forma como pensamos, recordamos, sentimos e tomamos decisões está profundamente ligada ao funcionamento do nosso cérebro. Quando surgem alterações cognitivas, emocionais ou comportamentais, compreender essa ligação torna-se essencial para um cuidado adequado, rigoroso e humanizado.

No artigo “Avaliação Neuropsicológica: ligando o cérebro com o quotidiano”, o psicólogo Dr. Filipe Bernardo, colaborador das Irmãs Hospitaleiras Lisboa, explica como a avaliação neuropsicológica funciona como uma ponte entre as neurociências e a prática clínica. Através de entrevistas e testes especializados, esta avaliação permite compreender o impacto das alterações cerebrais na vida diária da pessoa, apoiar diagnósticos diferenciais e orientar intervenções mais ajustadas às necessidades individuais.

Mais do que avaliar funções cognitivas, este processo contribui para promover autonomia, qualidade de vida e um acompanhamento centrado na pessoa, respeitando a sua história, os seus recursos e os seus desafios.

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Avaliação Neuropsicológica:. Ligando o cérebro com o quotidiano

 

A avaliação neuropsicológica é um dos diferentes tipos de avaliação psicológica, feita por um psicólogo especializado, que avalia a relação entre o cérebro e o comportamento humano. Através de testes padronizados e entrevistas com o utente e familiares, é analisada a relação das diferentes funções cerebrais e as diversas capacidades cognitivas, emocionais, comportamentais e funcionais. Este procedimento revela-se útil, e por vezes fundamental, no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de diversas perturbações psiquiátricas e neuropsiquiátricas. De forma mais concreta, a avaliação neuropsicológica é uma ferramenta de diagnóstico diferencial de demências ou défices cognitivos e funcionais que ocorrem na sequência de traumatismos cranianos. É frequentemente utilizada para identificar padrões específicos de défices cognitivos e funcionais que diferenciam diversas perturbações. Permitem distinguir, por exemplo, entre os défices cognitivos que, por vezes, ocorrem num contexto de um episódio depressivo e os que surgem no início da Doença de Alzheimer. A par do diagnóstico, esta avaliação é fundamental no planeamento da reabilitação, compensação ou adaptação ao dano cognitivo. Ao caracterizar os pontos-fortes e fracos cognitivos e funcionais de cada pessoa, os psicólogos podem desenvolver estratégias de reabilitação mais eficazes, adaptadas às necessidades de cada indivíduo.

O processo inicia-se com uma entrevista clínica detalhada, onde se recolhe informação sobre história médica, escolar, profissional, bem como sobre as queixas atuais de memória, atenção e outras funções cognitivas. Simultaneamente, é feita uma aplicação de provas neuropsicológicas que avaliam domínios como a memória, atenção, linguagem, funções executivas, capacidades visuo-espaciais e velocidade de processamento. Estes testes são, por norma, padronizados e permitem comparar o desempenho do indivíduo com aquilo que é expectável para pessoas da mesma idade e escolaridade. Como exemplos desses testes, temos os testes de memória verbal, onde a pessoa deve memorizar e recordar listas de palavras ou breves histórias, ou testes de atenção que medem a capacidade de manter a atenção em determinados estímulos e resistir a interferências e distrações. Com base os resultados nestas provas, é possível concluir se o desempenho cognitivo de cada pessoa encontra-se aquém do expectável e inferir sobre as suas causas. Para além disso, a avaliação neuropsicológica é utilizada no acompanhamento de pacientes com algumas perturbações neurológicas, monitorizando a progressão da doença e a eficácia dos tratamentos. No contexto forense, pode determinar a capacidade das pessoas para tomar decisões na gestão da sua pessoa e bens.

De uma forma geral, a avaliação neuropsicológica é frequentemente descrita como uma ponte entre as neurociências e a prática clínica. Ao traduzir o funcionamento cerebral em perfis cognitivos concretos e com uma tradução prática, esta ferramenta permite diagnósticos mais precisos, intervenções mais eficazes e, com isso, uma melhor qualidade de vida para pessoas com dificuldades cognitivas.

 

Filpe Bernardo

Psicólogo

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