11. Como é feito o controlo da dor em cuidados paliativos?
O controlo da dor é um dos pilares centrais dos cuidados paliativos.
As equipas especializadas utilizam protocolos analgésicos avançados, adaptados ao tipo, à intensidade e às características específicas da dor de cada doente.
A Organização Mundial de Saúde estabeleceu uma escada analgésica que serve de base para a progressão terapêutica, desde os analgésicos não opióides até ao uso criterioso de opióides fortes, como a morfina.
Na nossa prática, o controlo eficaz da dor é uma das intervenções com maior impacto imediato na qualidade de vida do doente e no bem-estar de toda a família.
12. O uso de morfina em cuidados paliativos acelera a morte?
Não. Esta é uma das ideias equivocadas mais frequentes em torno dos cuidados paliativos.
Quando a morfina e outros opióides são utilizados de forma correta, com doses adequadas e titulação criteriosa, não aceleram a morte.
O que a morfina faz, em contexto paliativo, é aliviar a dor e a dispneia de forma eficaz.
A sua utilização precoce e bem ajustada melhora a qualidade de vida sem comprometer a sobrevivência.
O receio da morfina conduz muitas vezes ao subcontrolo da dor, o que causa sofrimento desnecessário.
As equipas paliatvas estão preparadas para esclarecer estas dúvidas e gerir a medicação de forma segura e responsável.
13. O que é a sedação paliativa e quando é utilizada?
A sedação paliativa consiste na redução deliberada e monitorizada do nível de consciência do doente, e permite aliviar o sofrimento refratário, aquele que não responde a outros tratamentos disponíveis.
É uma prática clínica reconhecida, eticamente fundamentada e regulamentada.
O objetivo é o alívio do sofrimento, não a antecipação da morte. A decisão é partilhada com o doente, quando possível, e com a família.
A sedação paliativa pode ser contínua ou intermitente, proporcional ao grau de sofrimento presente, e é objeto de reavaliação clínica regular pela equipa.
14. Como se gere a alimentação e a hidratação nas fases finais da vida?
À medida que a doença progride, a capacidade do organismo para processar alimentos e líquidos diminui de forma natural.
A redução do apetite e da sede nesta fase não é necessariamente um sinal de sofrimento: é frequentemente uma resposta fisiológica ao processo de fim de vida.
A equipa paliativa avalia individualmente cada situação e discute com a família o que é mais confortável para o doente.
A nutrição e hidratação artificial podem não trazer benefício clínico e, em algumas circunstâncias, podem mesmo causar desconforto.
As decisões nesta área são tomadas com base no bem-estar do doente, no respeito pela sua vontade e nas orientações da equipa clínica, com toda a transparência necessária.
15. Que outros sintomas, além da dor, são tratados em cuidados paliativos?
Os cuidados paliativos tratam um vasto conjunto de sintomas físicos, para além da dor.
Os mais frequentes são a dispneia, as náuseas e vómitos, a fadiga extrema, a obstipação, a confusão mental, a agitação e as feridas complexas.
Cada sintoma é avaliado de forma sistemática e tratado com base nas melhores evidências clínicas disponíveis.
Pretende-se reduzir a intensidade dos sintomas e o seu efeito na qualidade de vida e na capacidade do doente para estar presente com quem ama.
Para além dos sintomas físicos, a equipa paliativa intervém igualmente nos sintomas psicológicos, como a ansiedade, a depressão e o medo, que são frequentes e merecem igual atenção clínica.
“A forma como as pessoas morrem fica na memória de quem continua a viver.” — Dame Cicely Saunders, fundadora do movimento moderno de cuidados paliativos