As Férias Solidárias da Juventude Hospitaleira regressaram às Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra, Casa de Saúde da Idanha, reunindo jovens de diferentes pontos do país para uma experiência de serviço, encontro, oração e partilha, inspirada no carisma da Hospitalidade.
 
De 27 a 31 de julho, as Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra, Casa de Saúde da Idanha acolheu mais uma edição das Férias Solidárias da Juventude Hospitaleira, uma iniciativa da Pastoral Juvenil Vocacional das Irmãs Hospitaleiras que convida adolescentes e jovens a viver uma experiência de proximidade, serviço e discernimento.
 

Ao longo de cinco dias, 15 jovens, entre os 14 e os 25 anos, partilharam o quotidiano da comunidade hospitaleira, encontrando-se com as pessoas assistidas, participando em momentos de oração, reflexão e convivência, e descobrindo, através de gestos simples, o significado da Hospitalidade como forma de cuidar e de estar com o outro.

A escolha das Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra, Casa de Saúde da Idanha reveste-se de um profundo significado. Foi aqui que, em 1894, São Bento Menni, juntamente com Maria Josefa Recio e Maria Angustias Giménez, iniciou a presença das Irmãs Hospitaleiras em Portugal, dando origem a uma missão que, há mais de 132 anos, continua a colocar a dignidade da pessoa no centro do cuidado.

 

Mais do que uma semana de voluntariado, as Férias Solidárias constituem um espaço de crescimento humano, espiritual e vocacional. Inseridas na Pastoral Juvenil Vocacional das Irmãs Hospitaleiras, procuram ajudar cada jovem a descobrir o valor do serviço, da solidariedade e da escuta, criando tempo para refletir sobre o sentido da vida e sobre a forma como cada um pode contribuir para construir uma sociedade mais humana, fraterna e comprometida com os mais vulneráveis.

 

Entre os participantes desta edição estiveram Dinis e Duarte, dois irmãos que aceitaram o desafio de viver esta experiência lado a lado. Entre momentos de serviço, amizade e descoberta, partilharam o que esta semana significou para cada um deles.

 
 
ENTREVISTA
Estamos aqui para servir, para ajudar, para passar tempo com os doentes”
Dinis e Duarte são irmãos, escuteiros há quase dez anos e membros do mesmo grupo de Jovens Hospitaleiros. Vieram juntos para as Férias Solidárias na Idanha e falam desta semana com a naturalidade de quem já sabe o que é partilhar tudo.
 
Como é que chegaram aqui os dois? Foi ideia de um ou surgiu ao mesmo tempo?
Dinis: Nós fazemos os dois parte do grupo de Jovens Hospitaleiros e a Irmã Fernanda lançou-nos este desafio… e nós aceitámos.
Duarte: Sim, falámos com outros membros do grupo e com amigos, e decidimos ir.
 
Já tinham cá estado antes. O que encontraram de diferente desta vez?
Dinis: Já sabíamos o que nos esperava, ir às unidades, estar com os doentes, trazê-los à missa, ter momentos de oração. Mas desta vez fizemos muito mais coisas. Fomos às residências, fomos à biblioteca, fomos aos atelieres também. Acho que descobrimos muito mais a Casa desta vez.
 
Há algum momento desta semana que já sabem que vão recordar daqui a anos?
Dinis: Acho que foi a primeira noite. Estava um zumbido alto quando tentávamos dormir, e um amigo nosso, o Miguel, achou que era o Salvador, que estava no quarto ao lado, que estava a fazer o barulho. O Miguel saiu todo chateado, bateu à porta dele, que já estava a dormir e acordou de repente com a luz acesa e foi uma cena bastante engraçada. Ninguém estava mesmo nada à espera.
 
Como é viver isto juntos, sendo irmãos? Há algo que muda por serem família?
Dinis: Não acho que mude muito, honestamente. Somos escuteiros há cerca de nove, dez anos e já fazemos atividades juntos desde sempre. Eu já não me lembro de fazer uma atividade sem que ele cá esteja.
Duarte: Sim, já estamos habituados.
 
O que é que a hospitalidade significa para vocês nesta semana?
Dinis: Para mim a hospitalidade é a devoção e entrega que nós damos aos utentes sem esperar nada em troca.
Duarte: Para mim é ajudar o próximo sem olhar a quem. Não importa quem seja, estamos aqui para servir, estamos aqui para os ajudar, para passar tempo com eles. É isso que resume a hospitalidade.
 
Que mensagem dariam a um jovem que está a pensar se vem ou não a uma atividade hospitaleira como esta?
Dinis: Que deve ir. Faz bem ter este banho de realidade e perceber que há vidas que são mais complicadas. Como a entrega a outra pessoa pode ser algo muito bom para nós também. Saber cuidar do próximo é uma coisa muito compensadora.
Duarte: Venham, experimentem. Não é algo que custe muito e é gratificante. E não é só pela parte da hospitalidade: é também pelo convívio, pelos amigos que aqui fazemos. É isso.
 
 
Uma semente que fica
 
Chega sexta-feira e as Férias Solidárias chegam ao fim. Os jovens voltam a casa, retomam a rotina, reencontram as suas vidas. Mas algo fica. Um gesto que surpreendeu. Uma conversa que não se esperava. Uma pergunta que ainda não tem resposta, mas que passou a existir.
 
É para isso que a Pastoral Juvenil Vocacional das Irmãs Hospitaleiras existe: não para dar respostas prontas, mas para criar condições para que cada jovem se encontre a si próprio e, quem sabe, descubra que a hospitalidade não é apenas um valor, mas uma forma de ser no mundo.

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