Celebração das primeiras profissões temporárias no Noviciado Internacional de Santa Teresa de Jesus Condeixa-a-Nova
Foi em contexto familiar e hospitaleiro que as jovens Julienne Bwala Bwala, Vasty Benteke Isembe e Gracia Sindani Makayabu, naturais da República Democrática do Congo, realizaram o seu caminho formativo em ordem à confirmação do chamamento para viver a nossa “formosa vocação de caridade”. Como expressão da certeza deste chamamento, estas três jovens entregaram-se generosamente a Jesus, a exemplo da Virgem Maria, fazendo a sua primeira profissão religiosa no dia 15 de agosto de 2025, na Casa de Saúde da Rainha Santa Isabel, em Condeixa-a-Nova.
A celebração festiva de Maria deu uma cor especial ao dia, apresentando-nos uma jovem mulher disponível ao projeto de Deus, em caminho de visitação, exultando de alegria porque a Sua misericórdia se estende de geração em geração.
(Por Ir. Anabela Carneiro)

As Irmãs Julienne, Vasty e Gracia, acompanhadas na celebração pela Irmã Idília Carneiro, Superiora Geral e a Ir. Amada, que nesse mesmo dia renovou os seus votos.

Acompanhadas das irmãs da equipa formativa.
Testemunhos
HISTÓRIA DE UMA AMIZADE COM O AMADO | Gracia Makayabu Sindani
Com muita alegria partilho este pequeno relato de minha história vocacional!
Eu sou Gracia Makayabu Sindani, natural de República Democrática do Congo, filha de Makayabu Ndiya Faustin e de Malu-Malu Berth. Os meus pais tiveram 9 filhos, agora somos 7, 2 rapazes e 5 raparigas, eu sou quinta da família e tenho 23 anos.
Para começar, reconheço que a vocação nasce da iniciativa de Deus, é um dom gratuito e irrevogável; Deus chama cada um de nós pelo seu nome e não cessa de chamar, o seu apelo é contínuo e cada dia chama de novo com uma marca especial. Pelo seu amor misericordioso, é Ele que toma sempre a iniciativa de sair de si e vem ao meu encontro, de muitas maneiras, pode ser através das mediações, da história pessoal, da vida quotidiana. Nasci numa família cristã: os meus pais têm um amor grande á Igreja e já na minha infância, junto da minha família participava nas celebrações e me encantava com as irmãs religiosas que eu encontrava.
A presença das irmãs dizia-me algo de Jesus e despertava em mim o desejo de seguir o Senhor na vida consagrada. Fui crescendo na fé e nunca deixei de me comprometer nas atividades da paróquia. Gostava muito de cantar, dançar e participar nos vários movimentos da comunidade local. Sentia que testemunhava a fé na minha escola junto com a minha amiga que, este ano, no dia 2 de agosto, também consagrou a sua vida ao Senhor.
Em 2014, com 12 anos, fiz minha primeira comunhão com uma grande alegria por receber o meu Senhor. Depois comecei a participar nos encontros para o crisma. Mantinha sempre a ideia de ser mais de Deus e este caminho de conhecimento do Senhor mudou a minha vida, começando a unir-me cada vez mais a Ele. As minhas amigas falavam em casar, ter dinheiro, ser ricas, ser professoras, eu porém experimentava o chamamento para ser religiosa, queria entregar-me a Jesus, era o desejo mais profundo do meu coração e dentro de mim algo batia com mais força.
Entrei no grupo vocacional da minha paróquia e fui acompanhada pelo Padre da minha diocese de Kenge, Bernard Munkanga que me perguntou o que gostaria de fazer na vida; então falei-lhe do meu desejo de ser toda do meu Jesus. Daí em diante ele foi muito atento para comigo, tivemos momentos de partilha e fiz um retiro com ele que me ajudou a discernir a minha vocação.
Ouvindo a vocação de Jeremias: «Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia, antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta das nações…» (Jr 1, 5), senti-me muito marcada, era como se estas palavras fossem dirigidas a mim, porque experimentava o desejo de me entregar ao Senhor, mas achava-me pequena e Ele dizia-me «não tenhas medo Eu estarei contigo» e eu abandonei-me em suas mãos. Fazendo caminho descobri que o Senhor precisa de mim e sentia-me chamada a dar a minha vida ao seu serviço. O padre Bernard colocou-me em contacto com a nossa Congregação de Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e a primeira irmã hospitaleira que eu conheci foi a Irmã Lyna Kana Kana que fez uma visita à minha cidade.
No final dos meus estudos em 2019 decidi despedir-me da minha família e viajei para a capital para fazer uma experiência com as irmãs, embora a minha família não acreditasse muito na minha decisão e eu mesma também sentia tristeza por os deixar. Mas por dentro, experimentava uma força que me empurrava a tomar tal decisão. Viajei para junto das irmãs para começar uma experiência mais perto. Foi uma experiência muito enriquecedora, encantava-me a alegria e a dedicação de cada irmã no serviço aos doentes, conheci a missão e sentia-me motivada para continuar a fazer esta experiência.
Depois de três meses, comecei a viver na comunidade. Sentia-me em casa, ali era o meu lugar e eu apaixonei-me pelo Senhor que com tanto amor me escolheu como instrumento da sua misericórdia no mundo e decidi segui-l’O. Fiz o pedido para entrar no pré-noviciado, em 25 de outubro de 2020 e vivi numa comunidade acolhedora, ativa na fé e na prática da caridade hospitaleira. Pouco a pouco, fui amadurecendo na fé e purificando o desejo de entregar-me a Deus e de querer ser toda do meu Jesus, com este desejo pedi para entrar no noviciado. Fiz o noviciado em Condeixa-a-Nova (Portugal), no Centro formativo internacional, numa comunidade intercultural que me permitiu descobrir a riqueza e o sentido da vida em comunidade. Somos diferentes, cada uma proveniente de outras realidades, culturas, países, mas unidas pela oração procuramos construir uma comunidade hospitaleira autêntica, acolhedora que vive com respeito e simplicidade a riqueza da interculturalidade e a diversidade, juntas partilhamos alegria de ser chamadas por Cristo na busca constante da vontade de Deus e na união de corações, como desejava a nossa Madre Maria Josefa. Também fiz a experiência de sair de mim mesma, deixando as minhas ideias para poder aprender e crescer com as outras.
O que mais me marcou foi a proximidade com Jesus que na sua humanidade, vem ao meu encontro nas pessoas que sofrem, abraça-me, ama-me tal como sou, com um amor incondicional. Sinto-me convidada a amar como Ele, aprendendo com o exemplo da vida das Irmãs a servir e amar com alegria. Para mim o amor com que as irmãs cuidavam os doentes com respeito, dignidade, compaixão, misericórdia era novo e marcou-me muito, pois pensava que podia ser uma delas fazendo o bem aos que necessitam. Sinto-me realizada e desafiada a ser instrumento da misericórdia do Senhor no mundo porque sei que é realmente um chamamento de Deus. Ele ama, perdoa e chama-me hoje a fazer uma aliança com Ele para que possa colaborar na sua missão; da minha parte respondo com alegria e gratidão por ter sido favorecida com este dom da vocação hospitaleira para ser testemunha do seu amor.
No serviço quotidiano encontro o rosto do meu Amado nas pessoas a quem sirvo, isso faz-me viver na esperança de que o Senhor está comigo, cativa o meu coração e desperta em mim o entusiasmo de me unir cada vez a Ele. No dia 15 de agosto de 2025 vou fazer a minha Primeira Profissão Religiosa, é com grande alegria que eu me entrego ao meu Jesus na consciência de ser sua esposa.
Sinto-me feliz na missão confiada e quero ser hospitaleira do Coração de Jesus espalhando o Seu amor e testemunhando que Ele permanece vivo no mundo através da minha entrega e dedicação ao seu serviço e aos irmãos.
Termino deixando uma mensagem para quem me escutar: não desistas de arriscar para encontrar e abraçar o bem precioso que é o amor de Cristo porque Ele que prometeu estar connosco até ao fim do mundo, estará também ao nosso lado para nos acompanhar, não tenhas medo, confia em Jesus, Ele fará em nós a sua morada e nós descansaremos no seu Coração que é o nosso refúgio seguro. OBRIGADA
HISTÓRIA VOCACIONAL | Julienne Bwalabwala
Sou Julienne Bwalabwala, sou congolesa. Nasci numa família cristã e participava nas atividades da paróquia. Estava no coro e num grupo de oração. Tenho duas tias religiosas, ouvia falar delas, mas nunca não as tinha visto. Na minha aldeia não temos casas religiosas e eu não sabia o que era ser Irmã.
Quando tinha 12 anos, morreu uma pessoa na minha aldeia que estudava numa casa de irmãs, que distava 7 horas a pé. As irmãs vieram ao funeral, e foi a primeira vez que vi religiosas, fiquei admirada, emocionada, o meu coração batia forte, e fiquei lá contemplando sem dizer nada. Só depois tive coragem de perguntar à minha mãe: quem eram as senhoras que estavam no funeral? A minha mãe respondeu-me que eram religiosas e perguntei-lhe acerca do que elas faziam. Ela disse que consagraram a sua vida ao serviço do Senhor, vivem na mesma comunidade, umas são professoras, outras enfermeiras. Então eu disse: serei também religiosa. Minha mãe ouviu e disse-me que eu ainda era uma menina e que talvez, quando crescesse, já não teria esse desejo.
Aos 13 anos fui estudar para um instituto de irmãs. Na escola elas mostravam-nos filmes ao sábado, especialmente, sobre os beatos do Congo: Isidor Bakandja (leigo), que morreu por causa da sua fé em Jesus, pois onde ele trabalhava não gostavam dos cristãos; o seu chefe dizia-lhe para não continuar a ser cristão e mandou-o tirar o crucifixo. Tendo-se recusado, foi morto, preferiu morrer permanecendo fiel a Jesus; a beata Anuarite Negapeta (religiosa) que morreu também mártir, ao recusar o pedido dum chefe de polícia, porque ela tinha consagrado a sua vida ao Senhor. Estes filmes aumentavam a minha fé e o desejo de responder ao chamamento de Cristo. Contemplando o amor e a fidelidade que eles tinham para com o Senhor, até dar a sua vida, eu chorava pois o seu testemunho movia o meu coração e desafiava-me a ser firme na minha fé e a dar a minha vida pelo Senhor.
Quando terminei os estudos na escola secundária, perguntei aos meus pais se podia ir para religiosa, mas eles disseram-me que era melhor continuar os estudos universitários. Sentia alguma impaciência pois três anos de enfermagem pareciam-me muito tempo, mas obedeci e fui estudar. Acabei em 2016 e, mais uma vez, perguntei: agora já posso ir? Eles aconselharam-me a trabalhar, o que fiz durante 2 anos e 6 meses, mas o meu coração não estava lá, eu só desejava responder a JESUS que me chamava. Por fim, os meus pais aceitaram que eu seguisse o meu caminho.
Nessa altura a minha tia, que é religiosa, veio de férias, e eu falei com ela. Explicou-me como é que elas vivem e falou-me d’algumas Congregações, seu carisma e a missão específica e entre elas mencionou as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Decidi fazer uma experiência com as estas Irmãs pois sentia muita compaixão ao ver os doentes mentais a viver na rua sem tratamento, rejeitados, como se a sua vida não tivesse valor. Às vezes dava-lhes alguma coisa para comer, mas isso não bastava para as suas necessidades; quando me aproximava deles, as pessoas diziam-me para ter cuidado pois eles não são nossos amigos podem acolher-te bem hoje e amanhã não. Mas eu sentia que eles são nossos irmãos, alguém que precisa da nossa ajuda para recuperar a sua saúde. Compreendendo os seus comportamentos relacionados com a sua doença sem tratamento, mas preocupava-me pela sua saúde integral: o regresso a casa, tomar a medicação, cuidar da alimentação e da higiene corporal para a sua transformação vital. Ao ver que havia uma Congregação dedicada ao seu cuidado, fiquei tranquila e senti que era ali que o Senhor me chamava, para O servir nas suas vivas imagens.
Viajei para Kinshasa, capital do país, onde residem as Irmãs e no dia 3/10/2019 fui à comunidade falar com a formadora e ela disse-me que podia começar a etapa do aspirantado no domingo dia 06//10/2019. Durante esta etapa, via como as irmãs rezavam, serviam os doentes e especialmente o seu modo de vida, a vivência comunitária, e fui discernindo a minha vocação. Fazendo esta experiência senti que era este o caminho ao qual o Senhor me chamava pois me sentia muito alegre e interessava-me por aprender com as irmãs. Apesar de gostar de cuidar os doentes, no inicio sentia algum medo, quando passavam por momentos de agitação. Mas, pouco a pouco, fui aprendo a estar com eles e a gostar de os cuidar, aprendi muito com eles.
No dia 25/10/2020 entrei no postulantado, uma etapa para pedir a entrada na congregação, e fi-lo em Burkina Faso. Foi a primeira vez que saí fora do meu país. A passagem bíblica de Genesis 12,1-3 ajudou-me a integrar pois senti-me como Abraão, a quem Deus envia a uma terra desconhecida. Ali adaptei-me à realidade, bem como à missão, que era diferente do Congo. Saíamos à rua para visitar os doentes respondendo ás suas necessidades e continuava a discernir a minha vocação, aprofundando o conhecimento de Jesus e da Congregação.
No dia 15/08/2023 entrei no noviciado internacional em Portugal. Encontrei-me com outras jovens de diferentes culturas e compreendi que o Senhor chama de muitas maneiras, a mim foi através das irmãs. Ele chama pessoalmente, pelo nosso nome, sendo de lugares diferentes, mas para viver juntas em comunidade, testemunhando o seu amor e a sua misericórdia no mundo. A minha motivação inicial era cuidar os doentes e, hoje em dia, com a experiência feita, vi que isso não basta. Reconheço que a minha primeira motivação é o seguimento de Jesus e depois transmitir o que aprendo d’Ele aos outros, cuidando com gestos e palavras.
O texto bíblico que ilumina a minha vocação é 1 Sam 3, 9-10 que fala da vocação de Samuel. À luz deste texto, aprendo a estar atenta e a escutar a voz do Senhor, que me chama para o servir. A frase do nosso fundador, São Bento Menni, que me acompanha e motiva a seguir Jesus com generosidade e entusiamo é: «Felizes, minhas filhas, mil vezes felizes, as almas que o Senhor chama com tão grande misericórdia; estimai, minhas filhas, esta graça como o maior tesouro e pérola preciosíssima que o Senhor vos concede». Esta frase faz-me compreender a grandeza da misericórdia de Deus ao chamar-me, mesmo na minha pequenez. A graça da vocação que recebi precisa de ser cuidada cada dia para poder crescer e fortalecer-se; tenho que guardá-la como um tesouro.
Hoje quando leio a minha história vocacional, sinto uma profunda gratidão, alegria e ânimo reconhecendo que o Senhor que me chama está sempre presente, age na minha vida, ilumina o meu caminho, ama-me, tem misericórdia e paciência para comigo apesar da minha fragilidade, concede-me a sua graça. A mim, pede-me confiar e abandonar-me n’Ele, ser aberta com quem me acompanha, descentrar-me de mim mesma para viver em intimidade com Ele e estar disponível para onde Ele me envie. Faço minhas as palavras de Maria «eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).
HISTÓRIA DA VOCAÇÃO | Vasty Benteke Isembe
A bela vocação de caridade.
Chamo-me Vasty, sou da República Democrática do Congo, da província de Equateur e nasci numa no dia 23/11/2001.
Descobri a minha vocação desde a minha infância, no primeiro encontro com as irmãs da congregação Filhas de Jesus, (les filles de Jesus) no primeiro encontro com elas, olhando para a forma como se aproximavam, cumprimentavam e falavam com as pessoas, eu sentia-me atraída e com o desejo de viver como elas. Também num grupo que participava na paróquia que tem por nome («Les filles d’honneur» – (Meninas de honra). Neste grupo aprendemos a ajudar os mais frágeis, especialmente os doentes, e idosos, visitar e deixar bens necessários. Tivemos por modelo a vida e o testemunho de três mártires: Santo Kizito de Uganda que morreu por causa da sua fé; venerável Isidor Bakandja do congo que morreu por causa da sua fé e Anuarite Negapeta por causa do seu amor e fidelidade ao Senhor. Cada vez que ouvia as suas histórias, sentia-me muito tocada, na forma como eles entregaram a sua vida a Deus, mesmo no meio do sofrimento, foram fiéis, até a morte. Especialmente Anuarite nas suas virtudes, nomeadamente, o amor, serviço, perdão, oração e coragem. Cada vez que falávamos sobre a sua vida mesmo na escola, tocava-me cada vez mais, e sentia crescer em mim o desejo forte de oferecer a minha vida a Deus seguindo o mesmo exemplo.
Aos 10 anos tive um acidente de mota. Fiquei internada no hospital que pertencia a uma congregação diocesana, durante muito tempo. A minha mãe não estava, e foram as irmãs que cuidaram de mim, através dos gestos de proximidade, atenção, paciência, carinho. Estes gestos marcaram-me muito ao ver que as irmãs cuidavam de mim sem me conhecer, ficava admirada e sentia-me chamada também a oferecer a minha vida ao serviço dos outros, sem exceção.
Ao passar para a secundária, escolhi a escola das Irmãs Thérésiennas de Basankusu com objetivo de entrar nesta congregação depois dos meus estudos. Fui muito bem acolhida pelas irmãs, especialmente por uma que me ajudou muito, preparou-me para receber o batismo e a primeira comunhão. Depois mudei de grupo, passei do grupo de meninas de honra ao grupo jovens de luz. Este grupo tem como objetivo acompanhar-nos na descoberta da fé, ajudar-nos a aprofundar a relação com Deus e preparar-nos para compromissos concretos na Igreja. Havia outros momentos em que ia visitar as irmãs, rezar com elas, bem como participar nas outras atividades com outros jovens.
Estava muito bem com as irmãs e cada vez sentia crescer em mim o desejo de seguir Jesus, mas discernindo experimentava um chamamento a algo mais de o que as irmãs tinham como missão. Sentia que o meu lugar não era ali. Como não conhecia outras congregações, falei com a minha prima que está na outra congregação, pedi-lhe para me ajudar a procurar. Ela conhecia as Irmãs hospitaleiras do Sagrado coração de Jesus, e quando viajei, sugeriu-me fazer uma experiência. Comecei e este momento foi muito significativo e marcante para mim, no encontro com as pessoas assistidas mesmo que no inicio tinha medo de aproximar especialmente de uma pessoa agitada, mas as formações que tivemos ajudaram-me a descobrir que a doença mental é como as outras doenças, isso quer dizer que pode acontecer a qualquer pessoa. As pessoas com doença mental, tem a sua dignidade como qualquer pessoa, não podem ser excluídas. Esta formação tocou-me muito olhando para a realidade concreta, como as pessoas com doença mental, abandonadas mesmo pela própria família, vivem na rua; pensando quantos quando querem se aproximar de alguém as pessoas fogem como fosse um perigo. Colocando-me no lugar deles, eu me perguntava: se fosse eu, como me sentiria? E isso provocava em mim a compaixão e o desejo de aproximar-me, escutar e consolar. Sentia em mim um apelo forte que me fazia sair do medo, e aproximar para ajudar os outros a sentirem-se acolhidos, amados e respeitados. Descobri, pouco a pouco, que o Senhor me chama e quer fazer caminho comigo. Assim deixei-me levar pela paixão por Jesus e compaixão por aqueles que sofrem, dando pequenos passos na relação comigo, com os outros e com Jesus, através das diferentes etapas de formação na nossa congregação.
Sinto a minha vocação como uma semente que o Senhor semeou, cuida, eu colaboro com Ele e cresce continuamente. Sinto que Ele me chama cada dia e eu estou entusiasmada e animada para responder com amor e alegria ao amor do Senhor que é sempre primeiro, colaborando com a sua graça. O seu amor incondicional, fiel, e infinito para comigo me motiva cada vez no seu seguimento e no desejo de me deixar configurar pelos seus sentimentos. Com o Seu amor misericordioso, compassivo e samaritano Ele cuida-me, cura-me, sana-me, levanta-me, transforma-me e envia-me a fazer o mesmo. E eu grata quero ser a presença deste amor de Deus em favor dos outros, especialmente aqueles que sofrem, reconhecendo que é Ele mesmo que está à minha espera naqueles que sofrem. Por isso Jesus disse «O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes» (Mt 25,40.).
Neste momento concreto sou noviça em preparação para primeira profissão que vai ser no dia 15/08/2025, e é com um coração cheio de alegria e gratidão que quero me entregar totalmente a Deus, para que na Sua misericórdia consagram todo o meu ser. Sinto-me muito agradecida por este dom precioso e inestimável da minha vocação que o Senhor na Sua bondade pousou o Seu olhar materno sobre mim como uma briza suave, e na sua ternura me chama na minha pequenez.
Como nos convida o Padre Menni (C. 19) pensar bem, na presença do Senhor, o grande privilégio e a grande graça com que o Senhor nos favoreceu, ao fazer de nós esposas suas. É uma graça tão grande e singular que, bem meditada bastaria ela para incendiar o coração no amor divino». Isso faz com que olhando para a minha fraqueza humana, reconhecendo o amor eterno de Deus, e dom da vocação como uma graça gratuita, fico admirada e encantada de segui-Lo onde e como quiser, numa atitude de confiança e abandono total na Sua bondade e Divina providência.
Na minha experiencia com O Senhor reconheço-O como meu amigo fiel, meu Samaritano, meu Pastor, meu companheiro de viagem, a minha alegria, a minha força, o meu amor, o meu tudo por isso quero pertencer a Ele toda a minha vida segundo o seu querer.
Sou muito agradecida por tudo: à nossa congregação como um corpo, todas as Irmãs que formam este corpo, especialmente aquelas que me ajudaram e me ajudam de uma forma ou outa para crescer na minha relação com o Senhor e nas outras dimensões da minha vida, para conhecê-Lo, cada vez mais e seguir-Lo com alegria, e cada membro da família hospitaleira, especialmente as pessoas assistidas que são o centro da missão que o Senhor me confia e que me ajuda muito também no meu crescimento pessoal e na minha relação com o Senhor.