No passado dia 23 de setembro, as Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra acolheram a II Jornada de Identidade, subordinada ao tema “Quem somos? ‘Lugares’ inacabados…“. Juntaram-se nesse dia pessoas colaboradores, Irmãs, voluntários, pessoas que acompanhamos, estudantes , profissionais da saúde, da educação e de outras áreas.

Foi um dia para fazer uma pergunta que nunca fica totalmente respondida. Quem somos, como nos vamos construindo e que lugar têm nisso a fragilidade, os outros e os valores que nos guiam no cuidado.

 

Uma manhã sobre fragilidade e relação

As boas-vindas couberam à Ir. Maria Carmen Martín García e à Ir. Blanca Flor Guerrero Anganoy, Conselheiras gerais da Congregação das Irmãs Hospitaleiras, e a José Manuel Eusébio, Diretor Gerente das Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra.

A primeira mesa, “A fragilidade dá asas”, trouxe três percursos muito diferentes. Julie Machado, mestre em Teologia e mãe de sete filhos, falou da experiência de ter ficado temporariamente paraplégica e de como a vulnerabilidade se transformou em esperança e sentido. João Pedroso de Lima, médico e uma referência na humanização dos cuidados de saúde em Portugal, partilhou o seu olhar sobre a fragilidade no contexto do cuidado. Hélder Baptista, que passou boa parte da infância e da adolescência na rua, contou como cada passo da sua vida foi uma conquista de dignidade. A conversa foi moderada pelo jornalista António Marujo, do 7Margens.

Depois do intervalo, o jesuíta Pe. Carlos Carneiro apresentou a conferência “A força da relação na construção da identidade”, com moderação de Raquel Abecasis. Ficou a ideia de que ninguém se faz sozinho: somos também feitos por quem nos escutou, por quem nos acolheu e por quem aprendemos a acolher.

 

Uma tarde com música, partilha e humor

A tarde abriu com o momento cultural “E tu, quem és?”, a cargo das Irmãs Hospitaleiras Lisboa.

Seguiu-se “A gramática da relação”, uma conversa entre gerações e experiências de vida. Alexandre Coragem, jovem médico e violoncelista, o jornalista e escritor Fernando Correia e a Ir. Sabina da Graça Valente, que acompanha a formação inicial das novas Irmãs, falaram das muitas formas que a relação pode assumir, com moderação de Lígia Silveira, jornalista da Agência ECCLESIA.

O último painel trouxe gargalhadas à sala. Em “Rir a sério: uma conversa sobre identidade”, a atriz Maria Rueff e o psiquiatra Pedro Varandas, Diretor Clínico das Irmãs Hospitaleiras Idanha | Sintra e Lisboa, mostraram que o humor também nos ajuda a olhar para nós próprios com mais verdade e mais ternura.

 

O que levamos connosco

O encerramento contou com a presença de D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico em Portugal e da Ir. Paula Carneiro, Presidente do Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e Superiora Provincial.

Mas a Jornada fez-se também nos intervalos, no almoço e nas conversas de corredor, entre pessoas que trabalham nas nossas unidades de saúde hospitaleiras diferentes e raramente se encontram, e entre quem nos conhecia bem e quem nos visitava pela primeira vez.

Somos, em muitos sentidos, lugares inacabados. A Hospitalidade começa muitas vezes aí, em acolher o outro tal como está e em deixar que esse encontro também nos transforme.

A todos os que estiveram connosco, oradores, moderadores, participantes e equipas que tornaram este dia possível, o nosso obrigado. Saímos com mais perguntas do que respostas, e ainda bem.

 

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