Nem todas as famílias que procuraram as Unidades de Saúde Hospitaleiras de Belas e de Idanha (Sintra) reconheceram imediatamente a necessidade de procurar reabilitação especializada.
E por isso, é importante salientar que quando há dificuldades significativas na mobilidade, incapacidade de caminhar sem apoio, problemas na fala ou deglutição, há por sua vez urgência de avaliação especializada. Por outro lado, quando existem alterações comportamentais, desorientação ou dificuldades de memória severas também se justifica uma referência imediata.
“O reconhecimento precoce de défices cognitivos, motores ou comportamentais permite iniciar tratamento no período de máxima plasticidade cerebral, com resultados otimizados.”
Sinais físicos e motores que exigem atenção imediata
Há um conjunto de sinais físicos que, na experiência da equipa multidisciplinar das Irmãs Hospitaleiras em Sintra, são frequentemente subvalorizados pela família nas primeiras semanas após a alta hospitalar:
A fraqueza persistente de um lado do corpo (hemiparésia), a rigidez muscular involuntária (espasticidade), as quedas recorrentes, a perda de equilíbrio em pé ou sentado e a dificuldade em coordenar movimentos finos como abotoar uma camisa ou segurar um talher são indicadores claros de que o doente beneficiaria de avaliação por fisiatra.
Igualmente, qualquer dificuldade na deglutição, como tosse durante as refeições, voz “molhada” após beber líquidos, baba excessiva ou perda de peso inexplicável, representa um risco clínico relevante, porque pode conduzir a pneumonias de aspiração. Nestes casos, o terapeuta da fala das Unidades de Idanha e de Belas realiza uma avaliação da deglutição e define um plano de alimentação seguro.
Sinais cognitivos e comportamentais que muitas famílias confundem com “personalidade”
Uma das observações mais frequentes da equipa de neuropsicologia das Irmãs Hospitaleiras de Sintra é que as famílias tendem a interpretar as alterações cognitivas e comportamentais como “mudanças de personalidade” ou “teimosia”, quando na realidade são consequências directas da lesão cerebral.
A apatia (perda de iniciativa para tarefas que antes faziam sentido), a desinibição (comentários impróprios ou comportamentos que não correspondem ao carácter habitual do doente), a dificuldade em organizar uma sequência simples de ações, a desorientação temporal ou espacial, a perda de palavras a meio de uma frase, a repetição da mesma pergunta poucos minutos depois ou a incapacidade de reconhecer caras familiares são todos sinais que merecem avaliação especializada.
A equipa de neuropsicologia de Belas e de Idanha utiliza testes padronizados para distinguir alterações típicas do envelhecimento de défices que resultam da lesão cerebral, esta distinção é fundamental, porque determina o tipo de intervenção indicada.
Sinais emocionais e psicológicos: a depressão pós-lesão é mais frequente do que se pensa
A depressão afeta cerca de um terço dos sobreviventes de AVC ou traumatismo cranioencefálico, e na maioria dos casos não é reconhecida nem pelo próprio doente nem pela família.
O choro fácil sem motivo aparente, o riso descontrolado em situações inadequadas (labilidade emocional), o isolamento social, a recusa em participar nas sessões de reabilitação, as alterações do sono, a irritabilidade desproporcionada e os comentários de desânimo (“não vale a pena”, “isto não vai melhorar”) são sinais que devem ser comunicados à equipa de psicologia clínica das Irmãs Hospitaleiras.
A intervenção psicológica precoce nas Unidades de Sintra é determinante: um doente deprimido adere menos ao programa de reabilitação, recupera mais devagar e consolida menos os ganhos funcionais.
A equipa também acompanha o cuidador, porque o esgotamento familiar é, em si mesmo, um sinal de alerta que justifica avaliação.
Quando não esperar: a regra das 72 horas e os primeiros três meses
A janela de maior plasticidade cerebral, o período em que o cérebro tem maior capacidade de se reorganizar, abre-se nas primeiras horas após a lesão e mantém-se especialmente ativa nos primeiros três a seis meses.
A experiência clínica das Irmãs Hospitaleiras de Sintra confirma o que a literatura científica internacional documenta: cada semana de atraso no início da reabilitação representa, em média, semanas adicionais de recuperação a longo prazo.
Se a família observa qualquer um dos sinais descritos acima, ou se simplesmente sente que “algo não está bem” no familiar após a alta hospitalar, a recomendação é não esperar. As Unidades de Idanha e de Belas dispõem de uma primeira consulta de avaliação multidisciplinar, com um fisiatra, neuropsicólogo, terapeuta da fala e terapeuta ocupacional, que definem em poucos dias se o doente beneficia de regime de internamento, de ambulatório intensivo ou de consulta de acompanhamento.
Esta avaliação inicial é, em muitos casos, o passo que faz a diferença entre uma recuperação parcial e uma recuperação que devolve autonomia significativa.
O papel da família como sentinela clínica
Uma última nota importante: ninguém conhece o doente como a família. A equipa das Irmãs Hospitaleiras de Sintra valoriza activamente a observação dos cuidadores nas consultas, porque são eles que detectam as pequenas mudanças no quotidiano, uma palavra que escapa, uma rotina que se desorganiza, um sorriso que desaparece.
Recomendamos que a família mantenha um registo simples (em papel ou no telemóvel) das alterações observadas e das datas em que começaram, e que leve esse registo à primeira consulta. Esta informação acelera o diagnóstico e ajuda a equipa a personalizar o plano terapêutico desde a primeira sessão.
Se reconhece algum destes sinais no seu familiar, não adie a decisão. A equipa multidisciplinar das Irmãs Hospitaleiras nas Unidades de Idanha e de Belas, em Sintra, está disponível para uma primeira avaliação especializada que define, em poucos dias, o caminho mais adequado para a recuperação.
Cada dia conta e o primeiro passo é tão simples como uma chamada. Marque hoje a sua consulta e dê ao seu familiar a melhor oportunidade de recuperar a sua autonomia.
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