Congresso de Psiquiatria S. João de Deus reflete sobre os desafios da saúde mental ao longo do ciclo de vida

O segundo dia do XV Congresso de Psiquiatria S. João de Deus, a decorrer no Centro Ismaili, foi marcado por uma reflexão aprofundada sobre a saúde mental ao longo das diferentes etapas da vida, reunindo especialistas de diversas áreas em torno de temas centrais da contemporaneidade.

Sob o mote “Ciclo de Vida: do Eu ao Nós”, a manhã iniciou com a mesa dedicada aos “Jovens e Pós-Modernidade”, onde se abordaram os desafios colocados pela hiperconectividade, pela construção da identidade no mundo digital e pelas novas formas de sofrimento psíquico nas gerações mais jovens.

Com intervenções de Luís Madeira, Luísa Figueira e Josep Matali Costa, moderadas por João Albuquerque, destacou-se a necessidade de compreender o impacto das tecnologias digitais no desenvolvimento emocional e relacional, bem como de reforçar estratégias de prevenção e intervenção precoce.

Seguiu-se a mesa “Viver a Idade Adulta Hoje: (Des)Equilíbrios”, que trouxe para o centro do debate a complexidade da vida adulta contemporânea.

Com os contributos de Gustavo Jesus, Diretor do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Vila Franca de Xira, Maria de Belém Roseira, antiga Ministra da Saúde, e Júlia Rocha, especialista em saúde e bem-estar organizacional, sob moderação de Ana Escoval, foram abordados temas como a ansiedade, a solidão e o cansaço, num contexto marcado por exigência constante e aceleração dos ritmos de vida.

A reflexão evidenciou o impacto destas dinâmicas na saúde mental e na qualidade de vida, sublinhando a importância de uma abordagem integrada da pessoa, que considere as dimensões profissional, pessoal e relacional.

Neste contexto, o projeto Sempre em Mente, das Irmãs Hospitaleiras Braga, destacou-se como um exemplo concreto de intervenção no terreno. Distinguido com o Prémio Manuel António da Mota na área da saúde e inovação social, este projeto assegura apoio domiciliário especializado a pessoas com demência e aos seus cuidadores, através de equipas multidisciplinares.

Durante a tarde, a atenção centrou-se no envelhecimento, com a mesa “Envelhecimento Ativo e Demências”, que abordou os desafios e as respostas necessárias numa sociedade em progressivo envelhecimento.

A sessão contou com as intervenções de Carla Pombo, enfermeira coordenadora na área das demências, Márcia Fonseca, psicóloga clínica e técnica de reabilitação e inserção social, e Miguel Pereira, neurologista, presidente do Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demências e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Sob moderação de Manuel Caldas de Almeida, coordenador da Comissão Executiva do Plano Nacional de Saúde para as Demências, foram discutidas questões como a inovação na intervenção em demências, o diagnóstico diferencial e a importância de modelos de cuidado integrados e contínuos.

Foi igualmente apresentada a abordagem Home 360, evidenciando o papel das redes de acompanhamento, presenciais e digitais, na promoção da qualidade de vida das pessoas com demência.

O projeto ProCuidador 2.0 trouxe para o centro da discussão a realidade dos cuidadores informais, destacando a necessidade de respostas que promovam capacitação, apoio mútuo e equilíbrio no exercício do cuidado.

Ao longo do dia, ficou evidente a importância de uma visão integrada da saúde mental, que acompanhe a pessoa ao longo de todo o ciclo de vida, da juventude ao envelhecimento, sempre com foco na dignidade, na relação e na humanização do cuidado.

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