30 perguntas sobre Doenças mentais explicadas por especialistas

As doenças mentais afetam milhões de pessoas em todo o mundo e constituem uma das principais causas de incapacidade nos países desenvolvidos.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, continuam a ser alvo de estigmas e desinformação.

Este artigo reúne as 30 perguntas mais frequentes sobre doenças mentais, agrupadas em seis blocos temáticos:

  1. Compreender as Doenças Mentais
  2. Causas e Fatores de Risco das Doenças Mentais
  3. Sintomas e Sinais de Alarme das Doenças Mentais
  4. Consulta de Psiquiatria e Diagnóstico
  5. Tratamento das Doenças Mentais e Recuperação
  6. Estigma, Preconceito e Perceção Social

As respostas são elaboradas com base no conhecimento clínico atual, nas orientações do DSM-5 e na experiência das equipas das Irmãs Hospitaleiras, com o objetivo de promover mais literacia em saúde mental e incentivar a procura precoce de apoio.

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Compreender as Doenças Mentais

1. O que são doenças mentais?

São condições de saúde que afetam o pensamento, as emoções, o comportamento e/ou o funcionamento global de uma pessoa. Incluem desde quadros ligeiros como fobias a perturbações graves como a esquizofrenia.

2. Quais são as doenças mentais mais comuns atualmente?

As mais prevalentes são:

3. Uma doença mental é o mesmo que estar triste ou nervoso?

Não. Todos sentimos emoções difíceis, mas as doenças mentais envolvem sintomas persistentes e incapacitantes que comprometem a qualidade de vida e exigem tratamento médico especializado.

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4. As doenças mentais são crónicas?

Algumas doenças mentais são crónicas, como a esquizofrenia ou a perturbação bipolar. Outras podem ser episódicas ou totalmente reversíveis, como muitos casos de depressão ou ansiedade tratadas precocemente.

5. É possível ter mais do que uma doença mental ao mesmo tempo?

Sim. É frequente haver comorbilidade: por exemplo, depressão com ansiedade, ou PHDA com perturbação de humor. O diagnóstico deve considerar esta complexidade para orientar o melhor plano terapêutico.

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Causas e Fatores de Risco das doenças mentais

6. O que causa as doenças mentais?

Não há uma única causa. Resultam da interação entre fatores biológicos, genéticos, psicológicos e ambientais.

7. A genética influencia o risco de doença mental?

Sim a genética influencia o risco de doença mental. Pessoas com familiares de primeiro grau com depressão, bipolaridade ou esquizofrenia têm risco aumentado. Mas o ambiente e o estilo de vida também são determinantes.

8. Os traumas psicológicos podem causar doenças mentais?

Sim, os traumas psicológicos podem causar doenças mentais, sendo que eventos como abuso, negligência, luto ou violência podem desencadear ou agravar sintomas em pessoas vulneráveis.

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9. O consumo de substâncias aumenta o risco?

Sim, o consumo de substâncias aumenta o risco do desenvolvimento de algumas doenças mentais. O álcool, cannabis e as drogas estimulantes podem desencadear episódios psicóticos, agravar depressões ou causar dependências com impacto grave na saúde mental.

10. A ausência de sono e o stress crónico podem causar perturbações mentais?

Sim, a ausência de sono e o stress crónico podem causar perturbações mentais. Nomeadamente, o desequilíbrio do sistema nervoso provocado pela privação de sono ou stress prolongado aumenta o risco de:

  • depressão,
  • ansiedade,
  • burnout ou
  • episódios psicóticos.
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Sintomas e Sinais de Alarme das doenças mentais

11. Quais são os sintomas mais comuns das doenças mentais?

Os sintomas mais comuns das doenças mentais são:

  • Humor deprimido,
  • ansiedade persistente,
  • alterações de apetite e sono,
  • fadiga,
  • dificuldade de concentração,
  • isolamento social,
  • ideação suicida,
  • impulsividade,
  • delírios ou alucinações.

12. Quando é que se deve procurar ajuda especializada?

Deve-se procurar ajuda especializada quando os sintomas persistem por mais de duas semanas, causam sofrimento significativo ou afetam o trabalho, os relacionamentos ou o autocuidado.

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13. O que são sinais de alarme numa doença mental?

Alguns sinais de alarme são:

  • Ideação suicida,
  • perda total de interesse,
  • isolamento severo,
  • agressividade súbita,
  • automutilação,
  • perceções estranhas da realidade (como ouvir vozes).

14. Como distinguir ansiedade normal de uma perturbação de ansiedade?

A ansiedade clínica é exagerada, persistente, desproporcional e interfere com o funcionamento diário. Pode originar crises de pânico, insónia ou evitamento extremo.

15. Que sintomas indicam uma possível perturbação bipolar?

Os sintomas que indicam uma possível perturbação bipolar são:

  • alternância de períodos de depressão com fases de euforia,
  • agitação,
  • impulsividade,
  • gastos excessivos,
  • insónia sem cansaço,
  • grandiosidade
  • irritabilidade extrema.
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Consulta de Psiquiatria e Diagnóstico

16. Como é feito o diagnóstico de uma doença mental?

O diagnóstico de uma doença mental é clínico, baseado em:

  • Entrevista estruturada,
  • Critérios do DSM-5,
  • História pessoal, familiar
  • Avaliação funcional.
  • Pode incluir também testes psicológicos e exames complementares.

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17. É possível diagnosticar uma doença mental num adulto que nunca teve sintomas antes?

Sim. Qualquer perturbação mental pode surgir pela primeira vez na idade adulta, como depressão major, ansiedade ou perturbação bipolar.

Por outro lado, no caso da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), embora os sintomas possam não ser identificados na infância, estiveram sempre presentes. Por vezes podem ter sido atribuídos a traços de personalidade (ex.: “distraído”, “impulsivo”, “desorganizado”).

E muitas vezes, só com a exigência da vida adulta (trabalho, família, gestão de tempo) é que os sintomas se tornam mais evidentes e limitantes, levando finalmente ao diagnóstico e tratamento.

18. Quanto tempo demora a avaliação psiquiátrica?

Nas Irmãs Hospitaleiras, a primeira consulta de avaliação psiquiátrica tem habitualmente uma duração entre 45 a 60 minutos, podendo em alguns casos estender-se consoante a complexidade clínica.

Este tempo é fundamental para permitir uma escuta ativa e empática, a recolha aprofundada da história clínica, e a realização de uma avaliação do estado mental da pessoa.

19. Como se distingue uma doença mental de uma reação emocional a um problema?

Uma reação emocional, como tristeza, ansiedade, raiva ou medo, é uma resposta normal, proporcionada e passageira a situações de vida difíceis, como uma perda, conflito ou mudança. Nestes casos, a emoção está relacionada com o contexto, tende a melhorar com o tempo ou com apoio emocional e não compromete de forma significativa o funcionamento da pessoa.

Por outro lado, uma doença mental caracteriza-se por uma alteração persistente, desproporcional ou desconectada da situação externa, que afeta profundamente o bem-estar, o comportamento e a capacidade de funcionar no dia a dia.

É importante sublinhar que a presença de pensamentos autodestrutivos ou de risco para terceiros exige avaliação clínica imediata, pois pode indicar uma doença mental ativa com necessidade de intervenção urgente.

Nas Irmãs Hospitaleiras, todas as avaliações são realizadas com profissionalismo, empatia e confidencialidade, assegurando que a pessoa é acolhida sem julgamento e com o apoio necessário para iniciar um caminho de recuperação.

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20. Pode uma perturbação do neurodesenvolvimento como a PHDA ser diagnosticada na idade adulta?

Sim, a PHDA pode ser diagnosticada na idade adulta. Desde que haja evidência de sintomas desde a infância, mesmo que não tenham sido identificados na altura.

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Tratamento e Recuperação

21. Que tipos de tratamento existem para doenças mentais?

O tratamento das doenças mentais é individualizado e depende do diagnóstico, da gravidade dos sintomas, da história pessoal e das necessidades específicas de cada pessoa.

Atualmente, a abordagem terapêutica nas Irmãs Hospitaleiras é multimodal, ou seja integra diversas intervenções que se complementam:

21.1. Psicoterapia

É uma forma estruturada de intervenção psicológica, realizada por psicólogos ou psiquiatras com formação específica. Existem várias modalidades, entre as quais:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
  • Terapia Psicodinâmica
  • Terapia Interpessoal, Terapia Familiar, Mindfulness, entre outras.

21.2. Farmacoterapia (medicação)

Muitos quadros psiquiátricos beneficiam da utilização de fármacos, como:

  • Antidepressivos (para depressão, ansiedade, obsessões),
  • Ansiolíticos (para estados agudos de ansiedade),
  • Antipsicóticos (para perturbações psicóticas ou estabilização do humor),
  • Estabilizadores do humor (para perturbação bipolar),
  • Psicoestimulantes (para PHDA).

21.3. Reabilitação psicossocial

A Reabilitação psicossocial destina-se a pessoas com perturbações mentais graves ou de longa duração, e foca-se na recuperação da funcionalidade, autonomia e reintegração social. Pode incluir:

  • Programas ocupacionais e de treino de competências,
  • Apoio à empregabilidade e habitação,
  • Intervenção na comunidade.

21.4. Terapias de estimulação cerebral

Estas terapias são utilizadas em casos específicos, quando há resistência ao tratamento farmacológico, incluem:

Electroconvulsivoterapia (ECT)
Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)

21.5. Intervenção familiar e comunitária

A participação da família no tratamento é muitas vezes decisiva. A psicoeducação familiar permite:

  • Compreender melhor a doença,
  • Reduzir o estigma e o sofrimento relacional,
  • Aumentar a adesão terapêutica.
    A articulação com escolas, serviços sociais ou locais de trabalho também é importante para criar uma rede de apoio coerente e sustentada.

Nas Irmãs Hospitaleiras, acreditamos numa abordagem integrada, humana e personalizada, que não trata apenas os sintomas, mas considera a pessoa na sua globalidade: corpo, mente, história e contexto social.

O objetivo final do tratamento é a recuperação funcional e emocional, com vista à autonomia, ao bem-estar e à reintegração plena na vida.

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22. Todos os doentes mentais precisam de medicação?

Não, nem todos os doentes precisam de medicação para tratar uma doença mental. Há casos ligeiros que podem beneficiar apenas de psicoterapia.

Nos quadros moderados a graves, a combinação com medicação pode ser sim necessária.

23. Quanto tempo dura o tratamento de uma doença mental?

Depende da doença mental. Alguns quadros melhoram em semanas, outros requerem tratamento contínuo ou ao longo da vida, como a esquizofrenia ou a bipolaridade.

24. É possível recuperar totalmente de uma doença mental?

Sim. Muitos doentes recuperam funcionalidade plena com tratamento adequado. Noutros casos, pode haver remissão parcial, mas com boa qualidade de vida.

25. Que papel tem a psicoterapia na recuperação de doenças mentais?

A psicoterapia é fundamental para a recuperação de doenças mentais. Ajuda a desenvolver estratégias de regulação emocional, resolução de conflitos, gestão de stress, e reforça a autoestima e os vínculos sociais.

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6. Estigma, Preconceito e Perceção Social

26. Porque persiste o estigma em torno da saúde mental?

O estigma na saúde mental persiste por falta de informação, medo do desconhecido e preconceitos culturais. Muitos ainda associam doença mental a “fraqueza” ou “perigo”, o que é falso.

27. Que impacto tem o estigma no tratamento?

O estigma leva à ocultação dos sintomas, adiamento da procura de ajuda, sentimentos de vergonha, isolamento e agravamento do quadro clínico.

28. É seguro trabalhar ou estudar com uma doença mental?

Sim. Com apoio e tratamento adequado, a maioria das pessoas com doença mental pode viver, estudar e trabalhar com normalidade.

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29. Como apoiar um familiar ou amigo com doença mental?

A melhor forma de apoiar um familiar ou amigo com doença mental é usar escuta ativa, demonstrar empatia, incentivar à procura de ajuda e respeitar pelos seus tempos. A família pode ser um fator protetor crucial.

30. As doenças mentais têm cura?

Sim, algumas doenças mentais têm cura, especialmente quando são diagnosticadas precocemente e tratadas de forma adequada.

Outras, como as doenças crónicas ou do espectro psicótico, podem não ter uma cura definitiva, mas permitem uma recuperação funcional muito satisfatória com acompanhamento clínico continuado, apoio psicossocial e estratégias de reabilitação.

Exemplos de doenças mentais com possibilidade de cura:

  • Perturbação de Ansiedade Generalizada leve ou moderada – muitos casos resolvem-se completamente com psicoterapia e treino de gestão emocional.
  • Perturbação de Pânico – pode desaparecer com tratamento adequado (psicoterapia + medicação temporária), sobretudo se não for crónica.
  • Fobias específicas (como fobia de voar ou de agulhas) – frequentemente resolvidas com exposição gradual e terapia cognitivo-comportamental.
  • Perturbação depressiva reativa leve ou moderada – em muitos casos, é autolimitada e remite com apoio psicoterapêutico, mudança de contexto ou medicação por tempo limitado.
  • Perturbação de Ajustamento – uma resposta transitória a uma mudança ou crise, com elevada taxa de remissão espontânea ou terapêutica.

Outras doenças exigem gestão prolongada, como:

  • Perturbação Bipolar,
  • Esquizofrenia,
  • Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC),
  • PHDA no adulto,
  • Perturbações do Espetro do Autismo (PEA).

Nestes casos, o objetivo é a estabilização dos sintomas, recuperação da funcionalidade, e a construção de uma vida com qualidade e autonomia, mesmo que a doença não seja curável em termos absolutos.

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